Sincronicidade- RMS Titanic uma viagem na história
RMS Titanic uma viagem na
história
É
nos momentos difíceis que nos unimos para superar e transformar a situação e assumimos
uma posição diante da vida.
O
RMS Titanic nos mostra o poder da escolha que transformou a história da
humanidade.
A tragédia que
se tornou uma lição maravilhosa de amor, solidariedade,
responsabilidade e superação.
Superação dos medos, Amor,
Atitude.
Nesta
viagem houve quem abdicou de sua vida pelo outro, houve quem tentou salvar,
acalentar e acalmar, quem tentou imprimir esperança onde não existia.
O
esforço de ajudar quem você não conhece e apoiá-lo não importando quem seja. A
beleza de quem veio ao chamado, ajudar não importando o perigo, mas pensando
quantos eles podiam resgatar com vida.
Esta
é a versão que eu escutei e vivenciei no dia 14 de abril de 2011, por
coincidência o mesmo dia em que o navio RMS Titanic colidiu com o Iceberg.
Como presente de
aniversário prometi levar minha mãe para ver a exposição do RMS Titanic,
que estava ocorrendo no Barra Shopping, em Porto
Alegre.
Naquela
manhã São Pedro abriu os portões do céu e lavou seu canteiro de obras, mas
mesmo com a chuva torrencial resolvemos ir.
Ao
chegarmos à bilheteria compramos os ingressos e recebemos uma cópia exata do
bilhete dos passageiros do RMS Titanic, com o nome do passageiro, a cabine o
qual estava e o motivo de sua viagem.
O
bilhete de minha mãe era de uma senhora rica que estava voltando de um safári e
tinha 3 cabines para ela e seu filho, já eu era uma senhora que voltava de um
funeral.
Há
poucos passos adiante entramos em uma sala a meia luz e um foco luminoso
apontava para uma escotilha.
Foi
neste instante que entramos no maior navio construído para época.
Através de
nossos olhos o passado se fez presente.
A
cada passo um pedacinho da história se desenrolava e notamos como o destino com
sua malicia armou para que cada
passageiro, cada tripulante estivessem presentes, nesta viagem, que
era para ser a “viagem dos sonhos” até a cidade de Nova York.
Os
guias davam detalhes de cada sala, de cada peça, de cada pessoa importante.
Passamos
pela construção do navio, desde a sala de projetos, a sua montagem, sua
decoração, seu sistema organizacional, pelas historias dos passageiros, os que
sumiram em águas gélidas, os que foram esquecidos pelo tempo com seus feitos.
Escolha?
Houveram
“enes” motivos para pessoas estarem neste navio.
O
Capitão Edward J. Smith aceitou o comando, pois queria terminar sua carreira
com chave de ouro. Embora aposentado,
aos 10de abril embarcou em sua última viagem.
O
diretor da White Star Line, J. Bruce Ismay e o construtor do navio estavam
presentes para acompanhar de perto todos os detalhes da viagem.
Thomas
Andrews embarcou de última hora em substituição de um colega que havia
adoecido.
Com
a greve dos mineiros, a White Star Line, direcionou o carvão mineral de outros
navios da empresa para o Titanic e ofertou aos passageiros da terceira classe
de seus outros navios para viajarem nesta que seria a viagem do século e ainda
por cima na segunda classe.
Houve
quem quis retornar mais cedo para festejar uma gravidez.
Houve
quem retornava para casa.
O
Titanic estava com sua capacidade quase máxima, talvez por uma jogada de
marketing ou pela greve dos mineiros.
Destino?
Um
aventureiro foi sequestrado na véspera do seu embarque, suas coisas embarcaram,
mas ele não.
Logo
que o Titanic zarpou sua esteira arrebentou rompendo as amarras provocando à
aproximação de outro navio que estava ancorado nas proximidades, e os dois
quase se chocaram.
Após
parou em vários portos para receber passageiros.
Na
Irlanda ficou ancorado do lado de fora devido ao porto ser pequeno para receber
um navio daquele porte.
Dizem
as más línguas que um foguista sentindo um mau presságio resolveu mudar o curso
de sua vida saltando fora do navio antes que este zarpasse.
Assim
estes sobreviveram ao desfecho.
Durante
o dia 14 de abril foram enviados vários avisos de gelo e de iceberg, todos
alertavam sobre o perigo, mas não se sabe o porquê somente um dos avisos chegou
ao capitão.
O
recado dizia que poderia ser possível a presença de gelo pela frente, sendo
assim resolveram continuar a viagem.
Outros
navios receberam os mesmos avisos e decidiram parar, seguindo a viagem em dia
claro para garantir a segurança.
Nesta
hora entramos na sala do dia “D”, onde tinha um iceberg para se passar a mão e
sentir a temperatura da água daquele dia.
O
céu estava limpo sem luar, a temperatura vinha caindo chegando a 0 graus.
Os
vigias noturnos estavam em desvantagem, os binóculos não foram guardados em
seus lugares de origem e estes só contavam com sua visão, não tinham como
visualizar o iceberg de longe.
Quando
os vigias avistaram o iceberg tocaram o sino de alerta, três vezes e informaram
a ponte:"Iceberg logo à frente”!
Mas
já era tarde, o inevitável ocorreu, a colisão.
O
iceberg arranhou o lado direito do navio por uma distância de 90 m , deformando o casco e
soltando vários rebites debaixo d'água.
Dependendo
de onde os passageiros se encontravam no navio possuíam uma noção diferente do
acidente, alguns escutaram um estrondo, outros mal escutaram a batida do
iceberg no navio.
O
primeiro oficial automaticamente pediu ao timoneiro dar "tudo a
estibordo", ajustando ás máquinas para ré ou para parar.
Mesmo
realizando o fechamento das portas a prova d'água, a água entrou pelos cinco
compartimentos dianteiros enchendo gradativamente.
Capitão
Smith alertado pelo solavanco do impacto foi à ponte, ordenou parada total e
chamou Thomas Andrews para avaliar o estrago do navio.
“A
análise dos estragos foi fatídica,” a “Grande obra de sua vida afundaria”!
Os
compartimentos inundados fizeram a proa ficar mais pesados e após os primeiros
20 minutos esta já começava a inclinar.
Capitão
Smith ordenou que os botes salva-vidas fossem preparados para lançamento e que
seguissem as normas da estratificação social.
Mulheres e crianças teriam prioridade.
Também
ordenou que sinais de socorro começassem a ser enviados.
Na sala de rádio os operadores enviavam sinais
de socorro.
Não
existia um código específico na época o que dificultou o pedido de socorro.
Vários
navios responderam ao chamado, mas nenhum estava perto o bastante para chegar a
tempo.
O
Titanic lançou fogos, sinalizadores, para pedir ajuda.
Porém,
as luzes desapareceram de repente.
Nossa
guia relata que alguns tripulantes viram luzes que achavam ser de outro navio.
Existem duas versões para esse episódio, a
primeira seria um navio que navegava ilegalmente naquelas águas e a outra
versão seria o navio SS Californian que teria passado por eles.
Tripulantes
do SS Californian teriam visto os fogos, informaram o Capitão, mas este não
teria dado atenção necessária ao fato. Também o rádio do Californian estava
desligado.
Os
empregados começaram a passar de cabine em cabine na primeira classe
solicitando que colocassem os coletes salva-vidas e se dirigissem para o convés
sem pânico, a fim de serem evacuados.
Na
segunda classe e terceira classe as ordens iniciais foram para que os
passageiros ficassem reunidos no seu salão até as ordens de irem para o convés.
Foi
lhes assegurado que teriam embarcações para sair do navio.
Passageiros
da terceira classe que acordaram com o estrondo começaram a subir as escadas e
encontram os portões trancados com correntes e vigiados por tripulantes que só permitiram
a passagem de algumas mulheres e crianças.
Alguns
passageiros da terceira classe aventuraram-se pelos corredores para tentar
encontrar outra saída a fim de escapar com vida.
Já
algumas pessoas preferiram ficar no navio por acreditarem estar mais seguros,
já que não escutaram o barulho do choque.
Sendo
assim os primeiros barcos desceram com poucas pessoas.
Nesta
hora paramos sobre a sombra de um bote do tamanho original e a guia pede:
Olhem
seus cartões quem for mulher e criança entre no bote.
Podem
sentar.
Vocês
estão salvos!
De
um lado do navio seguiu se as ordens do capitão ao pé da letra e somente embarcaram mulheres e crianças,
levando alguns botes a serem lançados ao mar com 14 ou 15 pessoas, sendo a
capacidade total dos botes eram para 72 pessoas.
Do
outro lado do navio ordenava se que enchessem completamente os botes
salva-vidas inclusive com homens.
Thomas
Andrews ajudou os passageiros a colocarem os coletes salva-vidas, auxiliando na
decida dos botes e fazendo com que estes fossem devidamente cheios.
Após
foi à sala dos fumantes onde esperou a hora de sua morte.
Graças
a eles muitos homens se salvaram.
Quando
a inclinação do navio se tornou evidente as pessoas da terceira classe
começaram entrar em pânico e forçaram a porta das escadarias, invadindo o
convés.
Os
homens portavam punhais, facas, porretes, e lutaram com a tripulação para abrir
caminho.
Para
conter as pessoas foram dados tiros e algumas pessoas acabaram mortas no
tumulto.
Restando
apenas dois botes salva vidas e os dois desmontáveis os passageiros da terceira
classe foram liberados a subir ao convés.
Nossa
guia pára, respira e nos mostra as fotos à nossa esquerda de pessoas que com
suas escolhas fizeram a diferença.
Os verdadeiros heróis e suas
lições de vida.
Os
operários da sala de eletricidade mantiveram as luzes do navio até o último
instante.
Os
tripulantes que deixaram o Titanic operacional e entre aspas tentaram dar
conforto aos passageiros que ficaram no navio.
A banda liderada por Wallace Hartley. Esta era composta por oito membros, estes pertenciam à segunda classe, assim não tinham direito aos botes salva vidas.
A banda liderada por Wallace Hartley. Esta era composta por oito membros, estes pertenciam à segunda classe, assim não tinham direito aos botes salva vidas.
Eles
tocaram até o último instante, fala se que a última canção a ser tocada foi a
canção que Wallace reservara para seu funeral.
Padre
Thomas Byles que viajava na segunda classe reuniu os passageiros que estavam no
convés e ministrou sermões dando consolo nos momentos finais.
Outra
escolha emocionante foi da Sra. Straus
que ao saber que só poderiam embarcar mulheres e crianças, escolheu
permanecer ao lado de seu marido e cedeu sua vaga a outra pessoa.
Ela
e seu marido morreram no naufrágio.
Ignorando
o que acontecia à sua volta, Capitão Smith foi visto caminhando no convés em
estado de choque.
Bruce
Ismay, Presidente da White Star Line se disfarçou e embarcou num dos últimos
botes deixando o navio.
De
repente a primeira chaminé, tomba na água, esmagando dezenas de pessoas nos
convés, o mesmo acontece com a segunda chaminé.
A
inclinação do navio aumenta e a água gélida arrasta tudo o que há pela frente.
Muitos
são sugados pela força das águas.
As
imponentes hélices de bronze ficam amostra, a pressão é exercida no centro do
navio e o casco do navio não suportando a pressão se rompe junto à terceira
chaminé, dividindo o navio em dois.
No
mar, os botes se distanciam lentamente do Titanic para evitar a sucção do
afundamento, mas um bote, sem senso de direção se perde e orientado pelas
luzes, remou diretamente ao navio que afundava.
O silêncio se quebrou.
O silêncio se quebrou.
Os
que não morreram durante o naufrágio lutavam agora para se manter vivos nas
águas gélidas tentando agarrar qualquer coisa que boiasse e suplicavam por
socorro.
Dos
2.228 passageiros e tripulantes, apenas 705 passageiros sobreviveram, morrendo
mais ou menos 1.500 pessoas.
Da
primeira classe das 329 pessoas a bordo, sobreviveram 199 pessoas e morreram
130 pessoas. Da segunda classe das 285 pessoas a bordo, sobreviveram 119
pessoas e morreram 166pessoas. Da terceira classe das 710 pessoas a bordo
sobreviverão 174 pessoas, o número de mortos foi 536 pessoas.
Da
Tripulação das 991 pessoas a Bordo sobreviveram somente 214 pessoas e morreram
685 pessoas.
O
Titanic tinha 20 botes salva-vidas com capacidade total para 1.178 pessoas e
isso correspondia há um pouco mais da metade dos passageiros que estavam no navio.
Isso
era mais botes do que se exigia na época.
Nos
botes a distância os passageiros assistiam em meio ao pavor, ao pânico e ao
choque a cena sem poder fazer nada.
A
estes só restava esperar pelo socorro.
No
meio dessa confusão um bote não se limitou a esperar.
O
bote no comandado do quinto oficial Harold Lowe, aproximou-se de outro bote e
transferiu todos os seus passageiros retornando ao local do naufrágio para
recolher alguns possíveis sobreviventes.
Infelizmente
este conseguiu resgatar apenas 6 pessoas com vida.
Contam
que o oficial do bote em que estava Molly Brown (uma nova rica) ficou em choque
e esta assumiu a liderança mantendo a calma e controlou a situação.
O
navio da Cunard Line, Carpathia, um
navio de passageiros comandado pelo capitão Rostron estava a 93 km de distância.
Sabendo
do ocorrido solicitou a sua tripulação e aos passageiros, se apesar dos perigos
poderiam tentar resgatar o RMS Titanic.
Como
todos concordaram no resgate este desligou a calefação e pôs pressão total nas
caldeiras, indo a todo o vapor.
Mesmo
assim este não conseguiu chegar antes das quatro horas da manhã.
Infelizmente
tarde demais.
Aos 15 de Abril de 1912, o navio Carpathia
chega no local e vê apenas duas dezenas de botes flutuando dispersos entre os
destroços e começa o resgate dos sobreviventes.
A medida que estes embarcam no Carpathia começa novamente a dor, o desespero e o choro frenético, ao se darem
contam que muito dos seus familiares não se encontravam no navio e a cruel
realidade, eles não sobreviveram.
O Carpathia
foi conhecido por muito tempo como o navio das viúvas.
Outros navios surgiram após na área do naufrágio, entre eles, o California,
mas não restava mais nada a fazer a não ser resgatar os
corpos dos mortos que boiavam.
Na última sala lemos nos painel.
Aos
18 de abril de 1912 o Carpathia chega ao porto de Nova
York.
Aos
19 de abril de 1912 foi aberto no senado norte-americano o inquérito, este responsabiliza principalmente o Capitão
Edward Smith, Bruce Ismay, Andrews Thomas e o Capitão do Californian Stanley
Lord.
A
nossa guia complementa graças a esse naufrágio as leis que regiam a construção de transatlânticos foram alteradas.
Todos os navios construídos depois do Titanic tiveram botes salva vidas
para todos a bordo.
Os telegrafistas passaram a trabalhar durante a noite e foi estipulada uma
única linguagem do código de socorro.
A Patrulha internacional do Gelo foi criada para monitorar, alertar e até destruir icebergs que viessem a
oferecer riscos à navegação.
A Cunard Line comprou a White Star Line.
Vemos
um mural com todos os nomes das pessoas que viajaram nesta aventura quem
sobreviveu e quem morreu.
Ao
nosso redor algumas pessoas diziam emocionadas: eu morri, eu estou viva!
Procuramos
nossos nomes....
Bem
eu e mamãe sobrevivemos, nós éramos da primeira classe e mulheres.
Tivemos
sorte!
Até
hoje me lembro da emoção deste passeio.
O
destino fez com que nós visitássemos o RMS Titanic no dia do seu
naufrágio, pudemos vivenciar a emoção de
estar viva, a comoção das pessoas ao nosso redor e a beleza desta exposição que
não sei até onde aquentará a pressão dos anos.
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